Resenha Crítica: O Garoto Selvagem

Cena do Filme onde Victor aprende a escrever seu nome copiando o Dr.

Baseado em uma história real, o filme “L’Enfant Sauvage d’Averyon” (O Menino Selvagem de Averyon), de Fraçois Truffaut retrata a jornada de desenvolvimento de um garoto, dentre seus onze (11) ou doze (12) anos, encontrado na floresta e aparentemente abandonado sem nenhum apoio durante seus quatro (4) anos. Após ter sido levado para a Instituição de Surdos e Mudos, em Paris, e não ter evoluído em nada, até mesmo tendo sido diagnosticado como “retardado”, o Doutor Jean Itard decidiu ser responsável pela educação e civilização do menino, conjunto com a sua governanta e financiado pelo governo parisiense na tentativa de recuperar as funções psíquicas do Garoto Selvagem.

Sob a ótica dos aspectos físicos, cognitivos, afetivos e sociais do desenvolvimento infanto-juvenil do menino, o filme se torna um potencial experimento para percebermos, à priori, a dificuldade de aprendizagem por ter passado tantos anos longe da civilização, sozinho, sem amor, carinho e educação. Isto é, seu isolamento da sociedade condicionou seu corpo, pensamento, memória, seu psiquismo em geral, para aquele contexto em que vivia. Exemplos: o menino não sentia frio, era resistente ao fogo, mordia ao ser “ferido”, como um animal, um lobo que cresceu na mata sozinho e teve necessidade de aprender a enfrentar adversidades para sobreviver, tanto que inclusive matar cachorro, o garoto selvagem conseguia.

Foi interessante perceber, inclusive refletir sobre a fala final do Doutor Itard, após Victor (assim denominado por responder ao som “O”) fugir e retornar à casa, como após ter sido retirado ou capturado do isolamento social e sido educado e civilizado, além de ter recebido cuidados e carinhos (principalmente da governanta), que mesmo ele não sendo “civilizadamente correto” ainda, ele já não era mais “o menino selvagem”. Segue a citação final:

“Já não é um selvagem, apesar de ainda não ser um homem”.

– Dr Jean Itard.

Com isso, podemos dissertar sobre o desenvolvimento e a aprendizagem de Victor nesses nove (9) meses após ter sido capturado e retirado do isolamento social e inserido na sociedade civilizada com, apesar de muita exigência, acolhimento e carinho por parte dos que obtiveram sua guarda, Dr. Itard e sua governanta.

Mudanças nos aspectos físicos: o menino andava de quatro, feito um cachorro, aprendeu a usar sapatos e a andar ereto.

Mudanças nos aspectos cognitivos: Victor, por maior que fossem suas limitações, foi subordinado à uma educação rigorosa, como experimento para desenvolver suas habilidades como fala, compreensão oral, pensamento, memória, dentre outras através de exercícios elaborados pelo Dr Itard, como com as ferramentas e seus respectivos desenhos e o alfabeto. Ele aprendeu a pedir leite sem bater na porta do armário.

Mudanças nos aspectos afetivos: o menino aprendeu a se revoltar, como quando acertou um exercício e por experimento o Dr Itard o trancou no armário, sem o recompensar. Ainda, ele aprendeu a se expressar afetivamente com agradecimento, como quando pegou as mãos da governanta e acariciou seu rosto após ter fugido.

Mudanças nos aspectos sociais: antes Victor não conseguia desenvolver nenhuma relação com outro indivíduo ou criança, e após ver outro menino brincar de carrinho de mão e carregá-lo, ele começou a perceber as reações positivas das relações sociais, aprendendo o que era se divertir e brincar, por exemplo.

Portanto, podemos concluir a importância da integração do homem no meio cultural e da sociedade, podendo enxergar como um ganho ao comportamento e desenvolvimento humano. É indispensável a análise de que, apesar de saber que tinha a liberdade de voltar para a floresta, Victor escolheu permanecer na casa de Dr. Itard, reconhecendo que aquela era sua casa, seu novo lar, e desenvolvendo sua adaptação à nova vida.

Por: Carla Magalhães

*Marcando a minha volta para a Psicologia!!!*

Alma, a mulher que acalma

Alma Alvarez, 46 anos, casada, brasileira. Era assim que iniciava o currículo daquela mãe preocupada, que deixava aquele pedaço e papel nas organizações na esperança de uma oportunidade que a ajudasse a cuidar de seus filhos. Moradora da maior comunidade da sua cidade, Alma somente estudou até o Ensino Médio por muito esforço de seus pais, característica essas que insiste em passar para seus filhos. Apesar da vida difícil, determinada como era, Alma não tirava o sorrido do rosto e nem deixava de cumprimentar a todos que cruzavam seu caminho. Definitivamente, ela era uma pessoa autêntica, de uma personalidade forte e única. Seus cabelos pintados escondiam os brancos que marcavam sua idade, suas rugas mostravam todas as batalhas da vida que tinha vencido e o que mais a deixava feliz era ver Estevão e Sofia, seus filhos, estudando e se divertindo em segurança.

Mulher, esposa, mãe e cristã. Tão simples e tão serena, quem diria que Alma seria calmaria em um mar de confusão que vivia? Sua vida nunca foi fácil, lhe faltaram oportunidades e sofrera com perdas muito nova, mas sua maior virtude, a resiliência, fazia dela a pessoa mais resistente que conhecera. Pois é, o mundo não estava preparado para Alma. Enquanto por fora ela revelava seus maiores sonhos, por dentro ela se recolhia e escondia seus maiores medos. Talvez seja o que mais acontece com pessoas fortes. E Alma era uma pessoa assim. Forte.

Na sua infância, Alma perdera os pais. Bala perdida. Infelizmente um fato corriqueiro na comunidade que vivia. Esse acontecimento fez com que sua infância tivesse sido cessada, pois como a irmã mais velha, 10 anos na época, ela aprendeu a cuidar de suas duas irmãs mais novas. Na adolescência, aos 16 anos, conheceu Marcelo, o homem que viria a ser seu marido dois anos depois. Cresceram juntos, mas seus caráteres eram incompatíveis. Ele foi assassinado 5 anos após Estevão e Sofia, os gêmeos nascerem, deixando-a sozinha para cuidar deles e um bebê recém-nascido, Lucas. Sua vida adulta também foi marcada, infelizmente Lucas não resistira a uma forte pneumonia e a deixou antes de completar seu primeiro ano. Foram muitas perdas, mas ela persistia com seu semblante de mulher guerreira.

O luto pode deixar as pessoas paralisadas por dentro, enquanto tentam sobreviver a um mundo que não entende a imensa dor que se instala ao perder um ente querido. Inclusive pessoas fortes como Alma podem aparentar fraqueza às vezes, o que é normal, mas seguem sorrindo pois a vida é assim, uma constante luta diária, na qual externamente você sorri, enquanto internamente você chora. Era o que acontecia com Alma, que buscava mais a calma nos olhos esplêndidos dos seus filhos e na fé no futuro e na crença de que tudo ia melhorar sempre.

Dentre Sorrisos e Filhos

Borboletas no estômago! Que sensação extraordinária ao vê-lo toda vez que chega da escola. Talvez só uma mãe saiba a alegria que é ver seu filho voltar para a casa e poder dar um beijo de boa noite antes de dormir. Allan é meu príncipe, meu garotinho e a razão do meu sorriso diário. Seus lindos olhos azuis cor do céu refletem o amor que sentimos um pelo outro, porque percebo como brilham ao olhar para mim, enquanto eu, expresso em meu sorriso de orelha a orelha toda felicidade que é ter um filho como ele.

Sua forma de me abraçar é única. Toda manhã ao acordar, Allan me abraça forte e diz “Mamãe, eu sou muito feliz com você!” e eu digo “Eu também, meu anjo!”. É impressionante como um ser tão pequeno provoca em mim uma vontade de sair pulando como um canguru. Ser mãe é um presente!

São nas atitudes mais simples que vejo o milagre acontecer. Como quando o vi dar seu primeiro sorriso ao colocar o seu pé na boca ainda bebê. Parecia que ele tinha descoberto que aquele ato fazia dele um ser existente, o que provavelmente acontece com todas as crianças.

Por experiência própria, posso te garantir que apesar dos percalços que existem, ser mãe é sinônimo de alegria.

***Ainda não tive a oportunidade de conhecer a maternidade, mas diante de um exercício do Curso de Escrita Criativa que estou fazendo, me foi solicitado escrever sobre alegria, e imagino que alegria seja isso, ser mãe.***

Eczema Infantil

Dói quando as cicatrizes não se curam. Dói no corpo e na alma.

Lembro todos os dias a sensação que tive ao ser cortada, quando apenas tinha doze anos de idade. Difícil esquecer do fato relevante que dividiu sua vida, de quando antes tudo era luz e em uma fração de segundo, tudo se tornou sombra. A verdade é que nunca vou esquecer, apenas aprender a conviver. Não, ainda não aprendi. Vivo há vinte anos nesse profundo mar de desilusões.

É intrigante, eu sei. Que ser humano faria isso com uma garotinha brincando enquanto brincava com sua boneca preferida? Se é que posso chamar isso de ser humano… Alguém que me cortou, me feriu, me machucou e nunca me curou. E é tudo que sinto toda vez que olho ele. O dia que mais gostaria de alegrar, é o dia que só consigo adoecer.

Naquele Natal eu apenas queria saber de proteger minha boneca Susy e desde então eu só quero me proteger das mãos violentas dele. Mas nunca consegui e todo ano a cicatriz se rompe. Rasga, molha, sangra. O toque não é veludo e doce, é constrangedor e ardente, no mau sentido. E enquanto ele se aproveita, eu somente fico petrificada.

Cresci acreditando que o problema estava em mim, porque ele dizia que eu tinha as pernas muito grossas e a bunda muito grande para uma criança, mas eu era uma criança destruída. Como crescer diante de alguém que você confiou e te manipulou, usando seu próprio corpo como arma para te aniquilar?

“É só um machucado de infância!”, ele diz. “É só a minha vida interrompida!”, eu digo. E com o semblante triste, sigo meu caminho em direção a lugar algum, pois uma pessoa como eu já não vive mais, e se há alguma salvação, eu desconheço.

Caso você saiba, me salve, porque eu quero viver.

Minha Vida na Ponta dos Pés – V (Season Finale)

“Eu vou brilhar apenas para você.”

Enfim, cheguei à Montana. Como nunca reparei na beleza de Great Falls? Há magia nessa cidade, há brilho e há um lugar para mim. Enquanto seguíamos a caminho de casa, reparei em um lago muito especial, e como estamos no verão, pude ver a beleza de todas àquelas árvores, de toda àquela natureza que falta em Nova York, onde esbanjei luxo e mau caratismo. Agora estou pronta. Eu vou esbanjar leveza, gratidão e paz. Mas antes temos que passar na Delegacia para verificarmos a minha situação… Ironia ou não, lembro que passei meus 21 anos sozinha em casa com uma taça de vinho em um apartamento pequeno alugado em Manhattan, NYC. Agora vejo que esses quase três anos fora de casa eu aprendi muita coisa, experiências que precisei passar para me fazer querer ser uma pessoa melhor. E chegamos à Delegacia, mas ao lado dos meus pais eu estou me sentindo segura e confiante como nunca estive antes.

– Sim, Senhor White! Tudo certo com a fiança. Os trabalhos comunitários serão às terças e quintas na fazenda do Senhor McCormack, o irlandês que chegou em nossas terras há alguns bons anos. – Disse o Delegado Harry.
– Obrigada, Harry! Sabia que poderia contar com Great Falls. – Agradeceu meu pai.

***

Engraçado. Cheguei na fazenda dos McCormack e parece que eu conheço aquele caipira ali… Espera! É aquele idiota que me ajudou a fugir! Como era o nome dele mesmo? – me perguntei.

– Olá, Sarah. Lembra de mim? – Perguntou o menino. – Eu sou filho do senhor McCormack, ajudo meu pai aqui na fazenda. Tudo bem com você?

Nossa, como ele é cortês e eu nem lembro o nome dele. Mas para quem era tão feinho mais novo, parecendo O Galinho Chicken Little Russo, ele está bem gato agora…

– O…o…i… Eu… Eu lembro, claro… – Gaguejei
– Jailson McCormack. Imginei que você não lembrasse meu nome ou talvez nunca soube. Bom, temos muito trabalho aqui! Vamos?
– Mas no que eu posso ajudar vocês aqui, Jai…Jailson?
– Lenha! Já aprendeu a cortar uma madeira no meio? Pois é isso que você irá fazer.

COMO ASSIM EU VOU CORTAR LENHA?! Respira, Sarah… E não pira!

– Jailson, eu não sei como posso ajudar com isso. – Indaguei enquanto ele ria.
– Fica tranquila, você só vai me ajudar a carregar as madeiras para o caminhão.
– Ah, sim. Claro. Desculpe, talvez tenha parecido que hesitei mas é porquê eu não tenho essa força e preparo para cortar lenha e…
– Mas tem bastante preparo para iludir adolescentes, né? – Perguntou ele com uma cara nada boa.
– Desculpa, Jailson… De verdade. Eu era uma idiota. – E agora eu que estou me chamando de idiota! A que ponto chegamos! – Eu não quis te iludir, mas eu posso te mostrar como amadureci.

Jailson McCormack. Eu lembrava dele nas aulas de biologia do último ano. Ele sabia tudo sobre árvores. Saber tudo sobre árvores há alguns anos atrás poderia ser bobo para mim mas hoje percebo que esse menino não tem só músculos, ele era inteligente, e gato. Muuuito gato!

– Tudo bem, Sarah. Eu era muito bobo… – Me respondeu humildemente.
– Era mesmo. – Não resisti. Eu sempre com a minha sinceridade cruel. – Desculpe, digo… Todos nós éramos bobos. Você era o mais inteligente da sala. Não foi para alguma faculdade? – Perguntei tentando mudar de assunto.
– Eu passei em algumas, mas meu pai ficou doente e precisei ficar na fazenda administrando os negócios da família. – Respondeu Jailson com um olhar triste.

***

Foram três meses do mais divertido serviço comunitário. Acho que vou ser malvada mais vezes já que a fiança é arrumar um namorado tão gente boa… Brincadeiras à parte, eu estava me transformando nos meus maiores sonhos. E isso fazia de mim uma mulher renovada e feliz. Jailson me ajudou muito a aprender a ser gentil com os mais necessitados. Toda quarta-feira nós íamos juntos de noite no bairro mais pobre de Great Falls entregar comida e honestamente, pode parecer hipócrita mas fazer o bem é muito mais recompensador, pois quando você vê o sorriso de gratidão das pessoas, percebe que “É isso! Felicidade é ser grato!”.

Nós estávamos felizes juntos. J. me dava muitas ideias e me incentivou a continuar a dançar, o que por mim eu teria desistido, e eu o incentivei a começar a faculdade de Administração e nós passamos um verão maravilhoso juntos. Eu tinha aberto uma escola de Ballet para crianças no centro da cidade, não me importava com as pessoas dizendo que “A Melhor Bailarina de Nova York virou Professorinha”, mas quem sabia da minha felicidade era eu e a opinião dos outros nunca me importou, ainda mais agora que sei que estou no caminho certo… Até que…

– Calma, meu amor! Por favor, fica comigo… – Meu choro desesperado segurando as mãos de J. suplicando para que ele sobrevivesse. Naquele dia, tínhamos um jantar romântico marcado e ele foi me buscar na Escola de Ballet, mas um carro atravessou o sinal e ele foi atropelado, bem na minha frente. Bem. Na. Minha. Frente.
– Senhorita, White, não poderá entrar a partir daqui! Iremos fazer o possível. – Disse Dr. Brandon.

Reparei enquanto via J. desacordado e ensanguentado, entrar no centro cirúrgico, que um pacote caía do seu bolso… Então peguei e abri.

“Casa comigo?”

Era um anel de noivado e dentro ele havia escrito isso, me pedindo em casamento. Por quê eu estava prestes a perder o amor da minha vida? Aquele que realmente me encontrei e me fez eu me tornar na melhor versão de mim? Eu estava tão fraca, não queria acreditar que aquele pesadelo estava acontecendo. Até que o Senhor McCormack chegou junto com meus pais… Pude me sentir um pouco mais amparada.

– Família de Jailson McCormack! – Exclamou Dr. Brandon enquanto levantávamos desesperados. – Venho informá-los que… Ele vai ficar bem!
– Graças a Deus! – Exclamamos todos juntos!

Eu me quebrei em milhões de pedaços, sim. Mas por acreditar em mim e aceitar que pessoas que me amam também acreditavam em mim, eu estava lá, naquele belo dia de outono, vestida de noiva, casando com quem agora era a razão de toda minha felicidade e regeneração. E assim prometi a J.: “Eu vou brilhar apenas para você!”

Fim.

❋ ραrα ∂iαs вσทs є rυiทs •

Meus livrinhos relaxantes ❤

Alguns dias são mais difíceis que outros e como fazer para não deixar a tristeza, angústia ou ansiedade te consumir?

• Auto-conhecimento. É preciso perceber seus gatilhos e respeitá-los, conhecer suas limitações e enfrentá-las, buscar o que te faz bem adaptando o que for possível para estar feliz.

• Otimismo. Ser positivo muitas vezes é difícil mas como não ser diante do caos que estamos vivendo? Isso engloba ter fé (não estou falando de religião…), ter fé em si, nas pessoas e na natureza. Ser resiliente também é ser persistente. Seja!

• Paciência. Ser paciente é um desafio para mim, ainda mais se estou na TPM (hehe). Mas já percebeu que ser paciente é ter força? Respirar fundo e se permitir estar triste um dia, e se afogar num pote de sorvete não faz mal, e tá tudo bem fazer isso… UM dia.

E quando a leitura, algo que você mais ama está te afetando? Pois bem, vamos à minha história… Passei alguns meses sem ler basicamente nada e estou me sentindo perdida, inclusive a minha leitura está demorada e isso me irrita. Mas tenho que seguir meus próprios conselhos, certo? 🙂

Eu estou lendo um calhamaço e tenho dificuldade sim. O que eu faço quando não está fluindo?

• Liberdade. Há algo melhor do que ser livre e ter a possibilidade de fazer escolhas em um mundo cheio de opções?

Eu não vou forçar nada. Tudo tem que fluir como a água de um rio, compreendendo nosso próprio tempo e ritmo e usando de alternativas para o refúgio.

• Refúgio. Pode ser qualquer coisa. No meu caso é a escrita, mas e quando tenho bloqueio criativo? Vou para a leitura. Mas e quando não consigo focar? Vou para a música. E por aí vai.

Aonde eu quero chegar com esse post? Bom, é um desabafo mas também um alento para mim e quem mais precisar. Como estamos falando de leitura por aqui, afinal, sou uma blogueira literária, decidi indicar livros de poesia para momentos de tensão e tristeza. Leituras rápidas e curtas me ajudam a não exigir de mim mais do que eu devo. E assim vou seguindo… ✨

E você? Gosta de livros de poesias? Qual seu refúgio para os dias “trevosos”?

Boas leituras! 📖

Resenha #5 – Confesse

LIVRO: Confesse
AUTOR: Colleen Hoover
EDITORA: Galera Record
FORMATO: Físico
NOTA: ★★★

Confesse

Auburn Mason Reed… Eu esperava mais de você, menina!

Escolhi um livro aleatório da Colleen Hoover, fiquei interessada após ver tantas pessoas falando da autora. Se o hype prejudicou minha leitura? Não sei, talvez tenha criado expectativas demais e talvez os fãs de #CoHo me odiarão por avaliá-la com três estrelas mas sim, eu esperava mais!

Tudo começa no contexto da protagonista, ainda adolescente, se despedindo do seu namorado, Adam que estava à beira da morte. Bem drama adolescente de “meu primeiro e único amor”, but not… Passaram-se cinco anos e é aí que a história de Auburn é retratada. Ela se muda de Portland para o Texas e sem alguma razão aparente ela é submissa à ex-sogra, Lydia, mãe de Adam.

Um dia saindo de seu trabalho, Auburn passa por um ateliê de arte, o ateliê de Owen e aí eu gostei mais um pouquinho. Que ideia incrível de fazer arte através das confissões das pessoas, hein, CoHo? E sim, era exatamente assim que Owen Gentry se inspirava para seus quadros. Ele só abria sua galeria uma vez no mês e vendia praticamente todos os seus quadros. Inclusive, ao final do livro tem alguns exemplos de como seriam esses quadros se fossem reais e olha, belíssimos.

Mas voltando, a história retrata a intensa paixão de Auburn e Owen, que se conhecem quando ele a contrata para ajudá-lo na sua noite de vendas no ateliê. A atração foi instantânea e o romance, apesar de ser clichê, é bem representado pela ótima escrita de Colleen, sim fãs! A escrita dela é ótima!

Porém, percebo que as questões demoram um pouco para acontecerem, e o livro se estende mais do que o necessário. Talvez alguns segredos poderiam ter sido revelados antes. Sem muito spoiler, quando o primeiro segredo é revelado, eu não consegui parar de ler. Virei a noite para finalizar esse livro porquê eu queria saber qual era a conexão de Auburn e Owen, que também ligava Adam.

#Spoiler

E aí que veio a decepção… Eu esperava mais… Esperava um drama maior! haha Algo do tipo: “após Owen sofrer o acidente que levou sua mãe e irmão a falecerem, ele poderia ter sido hospitalizado e precisado de um transplante de coração e Adam ao falecer, ter doado o coração para ele.” Oh que legal? MAS NÃO! A conexão simplesmente era que através de Owen, Adam e Auburn puderam se despedir pela última (e milésima) vez, visto que o irmão de Adam, Trey, era um babaca e não queria deixá-los mais tempo juntos. E isso inspirou Owen a pintar o primeiro quadro, que ele deu para Adam e que optou por enviar para Auburn como se fosse dele. Bleh. Posso ter delirado nessa minha ideia dramática de transplante de órgão mas haha definitivamente eu esperava mais!

Sem mais delongas, calmem, calmem, calmem! Darei mais chances para Colleen Hoover! Algum livro da autora com mais emoção! haha Qual sugerem?

Comenta aí! 🙂

E até a próxima resenha!

De todos os erros que cometi…

Eu me perdi.

Eu me perdi para me encontrar.

Eu me perdi em um vale de tristeza e ganância para poder me encontrar em uma imensidão de sonhos honrosos.

Você deve estar se perguntando “O quê será que aconteceu com ela?”. Pronome “Ela”. E assim que fui chamada por alguns meses em meio a esse caos do ano de 2020. Nunca pelo meu nome, nunca falando diretamente comigo, nunca me reconhecendo, somente me desvalorizando. Para muitos “Ela” lembra aquela linda música da Julia Roberts em “Um Lugar Chamado Notting Hill”, mas nos meus pensamentos e recordações eu só lembro de como eu fui chamada, são lembranças que veem a minha mente e me provocam espasmos.

Esse ano todo eu percebi o quão adaptável eu sou à situações diversas mas também o quanto exigente estou quando se trata da minha saúde mental. Perdi um emprego no início do ano em meio à Pandemia, tive um prejuízo de R$ 5.000,00 ao optar vender meu computador para fazer uma reserva e pude perceber que nos meses que fiquei em casa, eu me reinventei. Reativei minha loja virtual e sim, recuperei tudo, financeiramente e emocionalmente falando.

Até que meado do ano resolvi voltar a escrever, ler e me aprofundar nesse universo literário. Parece que tinha me encontrado! E foi belíssimo ver, mesmo que com passos de formiguinhas, como o Escritas & Tal estava se desenvolvendo. E me dói olhar para trás e perceber que errei.

Erramos sempre, certo? Errar é humano. Mas me dói reconhecer que deixei meu sonho de me aperfeiçoar na escrita, na leitura e na literatura, por um empreguinho que só pagava as minhas contas e não me realizava em nada, absolutamente NADA. Ainda mais, que sugava TODA minha energia e tempo que mal podia me dedicar ao meu blog/instagram literário.

De todos os erros que cometi, desistir do meu sonho para pagar alguns boletos foi o pior. Eu já errei com amigos e amigas, namorados, família e comigo mesmo. Mas dessa vez eu interrompi um projeto embrionário que talvez eu tenha que começar do zero para recuperar. Para me recuperar. E recuperar nosso eixo não é um caminho fácil, e eu sei que acabei fora dele.

Talvez eu escreva mais sobre o que realmente aconteceu. Talvez sobre o que é assédio moral e abuso de poder, ou até ambiente de trabalho tóxico, o que nada tem a ver com o blog. Mas talvez eu conte reconquistando a minha escrita e voltando aos poucos a me aprimorar, não de onde parei, mas do começo de onde todos nós recomeçamos quando atingimos o fundo do poço. Lugar onde dessa vez não estive, mas que se continuasse e insistisse em algo que não era para mim, era onde eu ia chegar.

E agora? Agora é recuperar a inspiração, a criatividade e focar na superação, voltando a trilhar o caminho que eu tanto quero seguir, sabendo que irei me reinventar quantas vezes forem necessárias. Sem deixar meu maior objetivo de vida, que é continuar escrevendo, de lado.

Eu desabrochei.

Eu desabrochei para (re) florescer.

Eu desabrochei em meio à tanta pressão para poder florescer diante de tantas ideias e perspectivas que me rondavam.

Minha Vida na Ponta dos Pés – Parte IV

“Dessa vez eu tinha caído de verdade… E não tinha sido em um palco no Ballet. Eu estava na prisão!”

Atenção: Texto para maiores de 18 anos!

Eu estava deitada numa das camas estilo beliche da cadeia, olhando para aquele teto sujo e rabiscado, e pensando apenas em uma coisa: abismo. Sim, eu queria encontrar um abismo e me jogar dele. Eu estava na prisão havia apenas 5 dias mas já parecia que fazia 5 anos. Estava fazendo o que jamais eu pensei que fosse fazer algum dia na minha vida, abaixando a minha cabeça para todos à minha volta. E eu precisei cair, ir ao fundo do poço, ser descoberta e humilhada em público, para assim, perceber que o que eu mais preciso é buscar incessantemente uma melhor versão de mim.

– Sarah, Sarah! Cadê você, minha filhinha? – Podia escutar a voz do meu pai da cela.
– Senhor, o senhor não pode entrar aí! – Respondeu uma policial.
– Senhora, é minha única filha! Preciso vê-la, saber o que aconteceu! – Implorou meu pai.
– Querido, vamos conversar com o detetive, e vamos tirá-la daqui. Calma! – Pude escutar a voz da minha mãe também.

Neste momento percebi como a voz da minha mãe era doce e como meu pai estava ofegante pois me amava. E todos esses anos, eu os julgava por não estarem ao meu lado, mas na verdade eles sempre estiveram, eles faziam de tudo por mim. Que ingrata eu fui… Mas eu sabia que eles iriam me tirar desse lugar e eu ia abraçá-los com todo amor do mundo, eu ia me desculpar, ia recompensar todos esses anos de crueldade. Sim, eu fui cruel com meus pais, com a Beth, com meus amigos e conhecidos que foram bons para mim. Eu precisava mudar. Eu vou mudar!

– Sim, Senhor Morgan. Mas o que de fato aconteceu? – Perguntou meu pai ao detetive.
– Senhor White, a sua filha está sendo acusada de duplo homicídio. Ela tinha um caso com John Smith, um empresário bem famoso daqui de Manhattan. Ele e sua esposa Beatriz viviam no subúrbio, mas ele mantinha um apartamento para sua filha há um ano atrás, que foi quando as mortes aconteceram.
– Mas o que a minha filha disse? Eu tenho certeza que ela não matou ninguém! – Disse meu pai chorando.
– Senhor White, a Sarah disse que a Sra. Smith chegou no local e os viu juntos. Ela viu a arma e como a Sra. Smith estava muito nervosa, ela tentou tirar da mão da esposa do Sr Smith, o que ocasionou o disparo da arma diretamente no peito dele. Além do mais, disse Sarah que ao ver seu marido caído, a Sra. Smith não resistiu e se matou.
– Então foi legítima defesa, Senhor Morgan! – Refutou meu pai.
– Senhor White, concordo. Mas a Sarah fugiu. Isso faz dela uma suspeita. Uma antiga colega dela, chamada Jasmine, estava no café em frente ao prédio e a viu saindo naquela noite, assim como as câmeras do Loft também registraram sua fuga. Isso complica demais a situação dela. – Respondeu o detetive.

Como pude ter sido tão tola, fútil e insensível? O que aconteceu comigo? Eu era a “menina doce da vovó” e olha no que me transformei. Nos meus maiores medos de infância. Eu me transformei em tudo que não gostaria em uma pessoa: ingrata, sem valores, perdida e vestindo um macacão laranja horroroso que me lembrava toda hora que dessa vez eu tinha caído de verdade… E não tinha sido em um palco no Ballet. Eu estava na prisão!

– Tudo bem, Senhor White. Então ela não irá a julgamento. Mas precisa retornar à Montana e cumprir trabalhos comunitários. Ela será réu primário de qualquer maneira, pois ela fugiu enquanto poderia ajudar em uma investigação. Mas conversei com os peritos e realmente há marcas de digitais da Sra Smith no revólver. E no apartamento achamos câmeras, pudemos ver, ela estava falando a verdade, ela não teve intenção de matá-los. Isso salvou sua filha, Senhor White! – Explicou o detetive.
– Muito obrigada, Sr Morgan! Muito obrigada! – Meus pais agradeceram chorando.

Quem diria que agora eu estaria aqui… Retornando para Montana graças aos meus pais que eu tanto reneguei e que deram tudo para me tirar da encrenca que me meti. Estou sem nada. Sem minhas roupas, minhas jóias, sem minha reputação. Estou olhando as nuvens pela janela do avião, e do outro lado vejo meus pais, aqueles que eu podia sempre ter contado e me recusei por pura imaturidade. Precisei querer me jogar em um abismo, precisei chegar ao fundo do poço, ser humilhada, para perceber quem eu realmente quero me tornar: sensível, verdadeira, humilde, íntegra, cordial e empata. Eu sei que parece estranho, ou talvez até hipócrita, uma pessoa tão baixa como eu fui todos esses anos, mas sim, eu quero mudar e vou começar do zero em Montana, de baixo, mas do zero e voar, dessa vez, com asas de anjo…

Já conseguia ver a bela paisagem de Montana daqui de cima… E aspirar todas as mudanças que quero começar em mim. Será que vou conseguir me tornar uma pessoa melhor em Great Falls?

Soneto de Sororidade

Mulher na Literatura – Camiseta da marca Poeme-se

Durante a infância que vivi,
se tivesse-me havido mais união,
ou até mesmo mais opinião,
Hoje reconheço o quanto sobrevivi.

Mas, de nem tudo me foi negado,
minha infância foi moldada de amor,
repleta de carinho, incentivo e calor,
E por isso aqui estou para deixar o meu legado.

Cresci com tanta falta de sororidade,
alienada à diversas questões,
nas quais precisei buscar aprender,

veracidades a respeito da diversidade;
Oh, que mudança! Lhe digo que ao aceitar sugestões,
De mim floresceu a mais bela cumplicidade.

(Carla Magalhães)