Resenha #1 – Mary Poppins

LIVRO: Mary Poppins
AUTOR: P. L. Travers
EDITORA: Zahar
FORMATO: Físico
NOTA: ★★★★

Mary Poppins – Edição Clássicos Zahar (Comentada e Ilustrada)

“Mary Poppins, você nunca vai nos abandonar, vai?” 

Helen Lyndon Goff, nome verdadeiro da autora de uns dos clássicos mais reconhecidos dos anos de 1930 até hoje em dia. É indispensável um breve resumo sobre sua história. Com seu pai, alcoólatra e sua, depressiva, Helen criava estórias para entreter suas irmãs mais novas. Mas deu início à sua rebeldia juvenil em Sydney, Austrália, lugar que direcionou sua vida para o universo Londrino, no Reino Unido, onde passou toda sua vida. Começou a rascunhar “Mary Poppins” em 1933 durante uma crise de Pleurisia. O livro “Mary Poppins” foi publicado em 1934 com o seu pseudônimo P. L. Travers (como já se sabe, naquela época as mulheres publicavam seus livros, artigos e pensamentos através de nomes masculinos, para não perderem a popularidade – típica da sociedade machista que ainda vivemos). O livro foi um sucesso inicialmente para a literatura infantil, tanto que Walt Disney se interessou pelos direitos do livro e em 1964 adaptou o livro para as telas. Infelizmente, para a tristeza de Pamela Lyndon Travers (P. L. Travers), o filme teve alterações promovidas e adaptações sem respeitar seu acordo de, principalmente, que não seria uma animação. Foi uma decepção para a autora (e acredito que para todos que leram sua obra antes de assistir à essa adaptação – como eu), especialmente porque a mesma deixou claro que o livro não era para ser lido apenas por crianças mas adultos também eram seu público.

Sobre a obra “Mary Poppins”, esta se passava ficticiamente em Cherry Tree Lane, casa número dezessete em Londres. Personagens da família Banks (na qual a protagonista ir-se-ia trabalhar) compunha-se de Sr e Sra Banks, os filhos Jane e Michael e os gêmeos John e Barbara, além de outras personagens que davam vida à incrível estória da família Banks e Mary Poppins.

“Existia algo estranho e extraordinário nela.”

Há um momento em que Michael pergunta à Mary Poppins: “Você nunca vai nos abandonar, vai?” após se deslumbrar com toda a magia da sua nova babá. Uma babá que ao chegar de repente, sem nem mesmo dar referência, sendo persuasiva e ousada, percebemos características interessantes na personalidade de Mary Poppins, firme porém encantadora. Será que toda babá devia ser assim? Será que a autora gostaria de ter tido uma babá assim? Ao meu olhar, sim! A personalidade de Mary Poppins era firme, assertiva, ela sabia como comandar ou reverter situações. Mas não como mandona e chata, sutilmente persuasiva. Algo como ser autêntica.

A magia do livro é esplêndida! As personagens que faziam parte da trajetória são envolventes. Começando pelo Rapaz dos Fósforos, que ficava na rua e também pintava quadros. Há uma frase nesse segundo capítulo em que diz “Cada um de nós têm sua própria Terra das Fadas”, sem spoiler, é interessante percebermos o fato de cada ser ter seu próprio centro de imaginação, uma das questões presentes no livro, nos fazer imaginar, nos entreter, como a autora fazia com suas irmãs.

No capítulo seguinte, “Gás do Riso”, o Sr Peruca, personagem em que Mary Poppins leva para as crianças conhecerem, nos faz ver que a felicidade, a alegria, a magia sempre está dentro de nós mesmos ao flutuar por pensar em algo engraçado e fazer as crianças pensarem em algo engraçado também, fazendo-as flutuarem como ele. É um capítulo no qual, com as ilustrações, se torna bastante interessante e consegue nos tirar uns risos imaginando todos não conseguindo parar de rir. Quem nunca teve crise de riso? E de onde ela vem? De dentro!

Uma pequena observação antes de prosseguir. Toda vez Mary Poppins não deixava que as crianças acreditassem que aqueles acontecimentos realmente ocorreram, sempre negando ou de maneira um pouco ríspida muitas vezes, negando e falando que era imaginação das crianças. Fico pensando… Gostaria de um dia poder levar meus filhos a um mundo mágico e encantador como Mary Poppins fazia, e depois desmentir talvez para eles também não crescerem somente na fantasia. Talvez?

Bom, o quarto capítulo é sobre o cachorrinho fofo Andrews, da Srta Lark que o tratava como uma criança mimada, sem nem mesmo deixá-lo brincar com os cachorros da rua. O desfecho é interessante e mostra humildade e amizade quando Andrews exige à sua dona que seu amiguinho cachorrinho de rua more com eles e seja tratado tão bem quanto ele. Andrews resgata um “aumiguinho” vira-lata da rua e mostra a todos que não é mimado nada e gosta de ajudar seus amigos. Fofo!

Alguns capítulos são melhores que outros como o capítulo seis, em que na minha perspectiva, mostra uma crítica à realidade da época sobre os empregados. E ainda, para explorar a imaginação com a Bússola que dá a volta ao mundo e por meio de representatividade, mostra as peculiaridades dos quatro cantos do mundo, seu clima, o habitat animal e com as ilustrações dessa edição, fica muito mais fácil embarcar nessa viagem! Definitivamente, a partir desse capítulo eu consegui moldar as personagens na minha mente. Michael se mostrou um menino mimado que acordou em um dia ruim e descontou nos seus empregados, enquanto Jane (Ah, a querida Jane – minha personagem preferida!), era prudente e delicada, sempre sabendo pedir desculpas e ser gentil. Também no capítulo sete, a autora traz os leitores para a realidade infeliz da época com a história da “Mulher dos Pássaros” e seus saquinhos de dois centavos que vendia para que alimentassem os pombos e ela pudesse se alimentar. Diferença de classes… Quando isso vai acabar? Estamos em 2020 e estou escrevendo sobre um livro dos anos 30, quase 100 anos atrás!

O capítulo oito se trata da estória da Sra Corry e repleto de magia com seus bolos de gengibre que são ensacados em papel de estrelas, estrelas essas que ao cair da noite, pelas mãos da mesma e de Mary Poppins, enfeitavam e brilhavam o céu (sim, elas colocavam as estrelas no céu!). Não é divertido pensar que talvez pudéssemos tocar as estrelas do céu? Eu me imagino! Por que não?

O capítulo seguinte é sobre os gêmeos e me remeteu a um filme da minha infância no qual bebês conversavam. Mas o que percebi realmente foi que ao compreender a “linguagem dos bebês” e saber que após um tempo eles não iriam mais conversar entre si, a autora através de Mary Poppins quis mostrar a importância da infância e principalmente, do gostar de ser criança, mesmo deixando transparecer a realidade, a de que uma hora precisamos crescer, mesmo que pareça que crescer seja uma forma de perdermos a magia das coisas. Acredito que P. L. Travers, diferentemente do clássico como Peter Pan, enfatiza a importância do deixar a criança crescer, ela tem que crescer, e ela tem que gostar de crescer. Eu adorava ser criança, mas também gostei de crescer. Ser criança para sempre… Que graça teria termos somente uma fase em nossa vida, certo?

O capítulo 10, Lua Cheia é sobre o aniversário de Mary Poppins e sua afinidade com a fantasia e os animais. Um pequeno spoiler… É no zoológico e ao mostrar o Leão, simplesmente sua característica é de gentil e não a “fera” ou até mesmo o caçador, Rei da Floresta. Quem na verdade, pode se chamar de Rainha, é a Cobra Real, pela sua sabedoria e astúcia. Percebi uma crítica às questões de animais enjaulados. Há uma parte em que a Jane se espanta pois os animais estavam soltos e tinham humanos enjaulados. O que faz nos refletir realmente, “E se fosse ao contrário? Gostaríamos?”. As páginas desse capítulo mostram que os animais não são inimigos, e fico me perguntando, por que nós, humanos, muitas vezes somos, então?

O capítulo 11 foi um dos que eu mais gostei. Travers foi muito inteligente ao combinar mitologia grega com toda fantasia da sua principal personagem. A história traz Maia, que veio comprar presentes para suas irmãs. Prefiro não descrever tanto esse capítulo, ele é interessante de ser lido pois expressa a beleza de ver o verdadeiro sentido do Natal no qual representa o “doar” e não o “receber”, atitude da visita mitológica. Além disso, ficou claro para mim nesse capítulo a importância da personagem Jane, em que a própria Maia elogiou dizendo como a menina era sábia. E foi o que concluí durante toda leitura e com certeza é minha personagem preferida.

Mas um belo dia o Vento Oeste chegou encerrando o livro e levando Mary Poppins embora. Depois de deixar ensinamentos e um grande poder de imaginação nas crianças, a babá de pura magia partiu, fazendo-as entender a necessidade de crescer, e que crescer não é algo ruim, faz parte da vida. O importante é deixar a criança que existe dentro de cada um de nós permanecer, assim como existia naquela babá mágica e intrigante.

É de suma importância enfatizar que diferentemente de estórias como de Peter Pan (O menino que não queria crescer), Travers no desmembrar da sua escrita, auxilia as crianças a crescerem, estas, de todas as idades. Além do mais, sua personagem ajudou a reinventar uma profissão, na qual a babá não se deixava passar por nenhum abuso patronal com seu altruísmo e coragem, características que com certeza ela passou para Jane e as outras crianças. Realmente o livro não é somente escrito para crianças, é fundamental se compreender às críticas da sociedade da época e do fato de deixarmos nos envolver pela fantasia, seja qual for nossa idade.

Sobre o filme do Walt Disney de 1964. Eu vi após ler o livro e assim como para a autora, foi uma decepção para mim. Quem leu o livro percebeu que não foi nem um pouco fiel à obra, o que faz entender a indignação de P. L. Travers que não queria que suas obras fossem conhecidas apenas como infanto-juvenil. O filme além de ser infantil e sem graça (sim, quase desisti de assistir), não proporciona o que o livro faz, nos refletir além de nos entreter com boas risadas.

Concluindo, a nota referente ao livro foi 4/5 pois confesso que alguns capítulos provocam um certo cansaço, são um pouco chatos, enquanto outros são muito empolgantes e sinceramente, compensam. Pode oscilar um pouco no interesse ao ler o livro porém para leitores que estão determinados a ler clássicos, por experiência própria, foi muito bom começar com Mary Poppins.

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Até a próxima! 🙂

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