Minha Vida na Ponta dos Pés – Parte II

“Eu tinha uma vida que muitos queriam ter e não a escolhi.” – Sarah White

Atenção: Texto para maiores de 18 anos!

Nova York, a maior cidade do meu país, a maior cidade dos Estados Unidos da América. Tão movimentada quanto blasé. Ninguém te olha nos olhos, ninguém percebe que você precisa de ajuda, ninguém vê que a tristeza choca, simplesmente todos só querem olhar o lado lindo que essa cidade possui, e realmente ela é linda vista aqui de baixo… Mas deve ser muito mais bonita vista de lá de cima, do Empire State Building. Eu realmente acreditei que iria o conhecer tão breve, assim que passasse na audição da Escola de Ballet. Mas não. O que estou fazendo aqui com $20?

– Oi, gatinha. Quanto você tá cobrando? – Perguntou um senhor na parte de trás de um carro de luxo, do estilo dos meus pais.
– E…E…Eu? Cobrando o quê? – Indaguei
– Rá. Uma menina tão bonita, bem vestida, somente com uma mochila, sozinha aqui debaixo dessa ponte perambulando… O que acha de entrar no carro e irmos a um bar?

Eu não tinha dinheiro nem para uma refeição do tipo que eu costumava fazer, não tinha como arcar com transporte particular, como eu costumava ter. Na verdade, eu não tinha nem algo para comer ou beber. Só um sanduíche mofado de dois dias… Que me dava náusea. Eu estava com fome, precisando de um banho, e bom, de dinheiro. O que demais teria em trepar com esse velho?

– Aí! Para começo, são $200 o boquete e $500 o serviço completo. E mais, quero ir no melhor hotel da cidade e antes de tudo, tomar um banho bem relaxante numa banheira. É pegar ou largar.
– Entra! – Disse o velhote que eu mal conseguia ver o rosto.

Cheguei no hotel, tomei um banho relaxante e dei pra caralho pra aquele velhote! Com certeza deve ter tomado a ‘azulzinha’… Não é que o velhote meteu 5 vezes na mesma noite? E eu? Saí de lá com $500! E foi aí que começou… A minha saga de Prostituição em NYC… E algumas coisas mais…

Todo dia era um homem diferente, alguns gatos, outros com esposa, alguns só queriam que eu os escutasse (que saco!), mas o pior era os velhotes mesmo. Em uma semana dei para 10 caras diferentes. Calculou aí quanto eu juntei, né? Comprei roupas luxuosas e aluguei um pequeno quarto num hotel. E todo dia eu tomava um belo café da manhã na cafeteria da esquina, e a partir das 10h começava a andar pela rua e sair com os caras que paravam. Percebi que existem ruas em NYC vazias, e essas eram as que eu estava, lá aguardando mais um dinheirinho entrar.

Impressionante como cada foda que eu tinha com homens que nunca havia visto na vida, eu pensava: “Eu tinha a vida que muitos queriam ter e não a escolhi.” Até que eu conheci o John… John Smith. Era um coroa de uns 45 anos, gato pra caralho, tinha um corpo maravilhoso e um cabelo grisalho tão macio. Ele era advogado, não, quero dizer, ele tinha um escritório de advocacia próprio, e me levava para os melhores hotéis da cidade. Bom, começamos a sair todos os dias depois do trabalho dele. Era um saco aquela mulher dele ligando… Mas ele sempre dava uma desculpa que estava em reunião… Homens não são criativos, né? Sugeri a ele que mudasse as desculpas de vez em quando, e ele dizia “Você é esperta, garota!”.

Depois de um mês nas ruas de Nova York, eu já estava há seis meses com o John. Ele alugou um apartamento para mim em frente ao Central Park, todo em vidro. Puta merda, que lugar lindo visto aqui de cima! Ele ainda deixou um espaço com uma barra para eu praticar ballet, ou seja, não estava perdendo a prática e estava treinando bastante para a nova audição que aconteceria em fevereiro… E eu estava super preparada! Não era tão ruim ser acompanhante de luxo… Algumas vezes trepava com outros caras, dinheiro nunca é demais, né? Mas o John tinha muito ciúmes, ele me queria só para ele. Porra, eu era uma puta!

– Me deixa, porra! – Disse para ele um dia que chegou puto porque viu um cara saindo do apartamento.
– Te deixo o caralho, sua puta! Eu não te pago para tu trazer homem pra cá! Eu te pago pra tu ser só minha! – E me agarrou com força rasgando a minha lingerie…

A gente sempre brigava e sempre fazia as pazes. Esse velhote não resistia a mim, quem resistiria? Eu sou a puta bailarina mais linda dessa merda de cidade, e no próximo mês eu vou passar na audição da Escola de Ballet e me livrar disso tudo.

Até que dois dias depois, a maluca da mulher dele apareceu no apartamento…

– Não, não, não, John! Por que? – Perguntou Beatriz, a vaca da mulher dele. Ela descobriu e pegou a gente no flagra!
– Não, Triz, não é isso que você tá pensando! Abaixa essa arma!
– “Não é o que estou pensando? Eu estou vendo! Você acha que eu sou burra?” – Respondeu a maluca tremendo com aquela arma na mão.

Quando eu vi que ela não ia atirar, eu fiquei esperando o momento certo para tirar a arma daquela boçal. Mas a arma disparou… No John, com as minhas mãos. E ela não aguentou e se matou… Mano, ainda bem que eu deixava as minhas coisas sempre arrumadas. Meti o pé dali em cinco minutos e peguei um táxi para o mais longe que pudesse avistando a polícia chegando. John… Foi tão bom para mim… Até caiu uma lágrima do meu olho no táxi. Mas logo falei para o motorista “Vamos para o Greenwich Hotel, por favor!” Precisava me distanciar do Central Park. Mas eu sou muito foda, nada estava no meu nome e ninguém nunca me via… Para todos os efeitos, eu era só uma hóspede indo embora.

Cheguei no Greenwich Hotel, um pouco afastado da cidade… Naquele dia eu chorei até dormir. Por um momento eu pensei… “Eu matei uma pessoa!”… E dormi, dormi, dormi… Por dois dias seguidos. Até que acordei e voltei a treinar para minha audição, foquei nisso, e consegui esquecer um pouco essa loucura toda.

#Dia da Audição

– Sarah White, favor se apresentar! – O avaliador me chamou…

Dancei “Clair de Lune” de Claude Debussy… E vi aplausos de pé de todos os jurados! Foi um dos melhores momentos da minha vida…

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