Resenha Crítica: O Garoto Selvagem

Cena do Filme onde Victor aprende a escrever seu nome copiando o Dr.

Baseado em uma história real, o filme “L’Enfant Sauvage d’Averyon” (O Menino Selvagem de Averyon), de Fraçois Truffaut retrata a jornada de desenvolvimento de um garoto, dentre seus onze (11) ou doze (12) anos, encontrado na floresta e aparentemente abandonado sem nenhum apoio durante seus quatro (4) anos. Após ter sido levado para a Instituição de Surdos e Mudos, em Paris, e não ter evoluído em nada, até mesmo tendo sido diagnosticado como “retardado”, o Doutor Jean Itard decidiu ser responsável pela educação e civilização do menino, conjunto com a sua governanta e financiado pelo governo parisiense na tentativa de recuperar as funções psíquicas do Garoto Selvagem.

Sob a ótica dos aspectos físicos, cognitivos, afetivos e sociais do desenvolvimento infanto-juvenil do menino, o filme se torna um potencial experimento para percebermos, à priori, a dificuldade de aprendizagem por ter passado tantos anos longe da civilização, sozinho, sem amor, carinho e educação. Isto é, seu isolamento da sociedade condicionou seu corpo, pensamento, memória, seu psiquismo em geral, para aquele contexto em que vivia. Exemplos: o menino não sentia frio, era resistente ao fogo, mordia ao ser “ferido”, como um animal, um lobo que cresceu na mata sozinho e teve necessidade de aprender a enfrentar adversidades para sobreviver, tanto que inclusive matar cachorro, o garoto selvagem conseguia.

Foi interessante perceber, inclusive refletir sobre a fala final do Doutor Itard, após Victor (assim denominado por responder ao som “O”) fugir e retornar à casa, como após ter sido retirado ou capturado do isolamento social e sido educado e civilizado, além de ter recebido cuidados e carinhos (principalmente da governanta), que mesmo ele não sendo “civilizadamente correto” ainda, ele já não era mais “o menino selvagem”. Segue a citação final:

“Já não é um selvagem, apesar de ainda não ser um homem”.

– Dr Jean Itard.

Com isso, podemos dissertar sobre o desenvolvimento e a aprendizagem de Victor nesses nove (9) meses após ter sido capturado e retirado do isolamento social e inserido na sociedade civilizada com, apesar de muita exigência, acolhimento e carinho por parte dos que obtiveram sua guarda, Dr. Itard e sua governanta.

Mudanças nos aspectos físicos: o menino andava de quatro, feito um cachorro, aprendeu a usar sapatos e a andar ereto.

Mudanças nos aspectos cognitivos: Victor, por maior que fossem suas limitações, foi subordinado à uma educação rigorosa, como experimento para desenvolver suas habilidades como fala, compreensão oral, pensamento, memória, dentre outras através de exercícios elaborados pelo Dr Itard, como com as ferramentas e seus respectivos desenhos e o alfabeto. Ele aprendeu a pedir leite sem bater na porta do armário.

Mudanças nos aspectos afetivos: o menino aprendeu a se revoltar, como quando acertou um exercício e por experimento o Dr Itard o trancou no armário, sem o recompensar. Ainda, ele aprendeu a se expressar afetivamente com agradecimento, como quando pegou as mãos da governanta e acariciou seu rosto após ter fugido.

Mudanças nos aspectos sociais: antes Victor não conseguia desenvolver nenhuma relação com outro indivíduo ou criança, e após ver outro menino brincar de carrinho de mão e carregá-lo, ele começou a perceber as reações positivas das relações sociais, aprendendo o que era se divertir e brincar, por exemplo.

Portanto, podemos concluir a importância da integração do homem no meio cultural e da sociedade, podendo enxergar como um ganho ao comportamento e desenvolvimento humano. É indispensável a análise de que, apesar de saber que tinha a liberdade de voltar para a floresta, Victor escolheu permanecer na casa de Dr. Itard, reconhecendo que aquela era sua casa, seu novo lar, e desenvolvendo sua adaptação à nova vida.

Por: Carla Magalhães

*Marcando a minha volta para a Psicologia!!!*

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